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O legado dos Reckziegel em Paverama

"Meu esposo era muito criativo e isso sempre nos encheu de orgulho, também pela dedicação dele para que a propriedade fosse um local bom e bonito para se viver"


Moinho que gerou energia elétrica é preservado - Alício de Assunção

PAVERAMA | A bucólica Linha Brasil, situada a quatro quilômetros do centro de Paverama, abriga poucos moradores, porém muitas histórias e feitos herdados dos primeiros colonizadores que por lá chegaram por volta de 1873. Entre esses estão os Reckziegel, hoje já na quarta geração dos descendentes dos imigrantes e que cultivam milho, soja e se dedicam a bovinocultura em uma área de dez hectares. Ciente de que as edificações enfrentadas pelos pioneiros não podem ruir com o tempo e que sirvam de exemplos, Ito Reckziegel (50) mantém preservado um antigo moinho colonial, movido à roda d'água e que forneceu energia elétrica para a propriedade rural da família durante muitos anos.
Idealizado e montado por seu pai Lauro, já falecido, a obra é motivo das conversas diárias no dialeto hunsrik, enquanto a cuia de chimarrão corre de mão pela manhã e à tarde entre sua esposa Liane (47) e a mãe Irma (83). "Meu pai era muito inteligente, pois construiu o moinho a partir da necessidade de energia elétrica que não havia por aqui e após muitas tentativas, através de seus conhecimentos e do que aprendeu com sua família edificou essa obra em 1970", orgulha-se Ito que registra também entre os pioneiros da localidade seu tataravô Wenzel e o bisavô Sigismundo Reckzigel além de outros vizinhos com sobrenomes como Franz, Vinzenz, Jantsch, Fischer, Klam, Keil, Nierich e Tischer.
O prédio de madeira que abrigou o moinho, ainda se mantém em pé e bem conservado, bem como polias, moedores, roda d'água e toda a engrenagem que, por meio da água vinda de um pequeno córrego por um valão, movimentava a estrutura. Tanto internamente como nos arredores cada peça conservada testemunha as dificuldades para a construção do empreendimento. Nos arredores, um cenário digno de cartão postal composto por açude, mata nativa, cerca de pedra, as populares taipas, e a calçada de acesso construída também de pedras irregulares, mas encaixadas perfeitamente, nos dão a ideia do capricho de Lauro na construção e da preocupação com o meio ambiente.
De acordo com Ito, seu pai construiu de forma artesanal cada componente das engrenagens. Um dos exemplos é a roda d'água, onde os detalhes foram talhados manualmente, num trabalho demorado, porém perfeito. "Meu esposo era muito criativo e isso sempre nos encheu de orgulho, também pela dedicação dele para que a propriedade fosse um local bom e bonito para se viver", comenta Irma que dedica-se a tricotar como passatempo. "Em outras épocas já fui até costureira para a vizinhança", recorda.

 

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