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Dormir bem para viver mais e melhor

Otorrinolaringologista Bruna Butzke e terapeuta holístico Eduardo Finkler dão orientações para a qualidade do sono


Otorrinolaringologista Bruna Butzke e terapeuta holístico Eduardo Finkler - Divulgação
Dormir um sono de má qualidade ou menos que o necessário gera a chamada privação de sono, que traz consequências imediatas, como alteração do humor, irritabilidade, cansaço, sonolência, dor de cabeça e dificuldade de concentração. A otorrinolaringologista Bruna Butzke observa que, além dos efeitos agudos das noites mal dormidas, a redução crônica do tempo de sono afeta o desempenho intelectual, a memória e o controle do peso corporal; reduz a imunidade e aumenta o risco de doenças como diabetes, hipertensão (pressão alta), obesidade e depressão. Isso pode impactar não apenas a vida do indivíduo, mas toda a sociedade. A sonolência é uma das principais causas de acidentes no país, segundo o Conselho Nacional de Trânsito.
 
A médica destaca que reconhecer a necessidade de dormir e respeitar seu ritmo é imprescindível para o bom funcionamento do organismo. "Procure manter uma rotina de sono, respeitando a necessidade do seu corpo. Mantenha hábitos saudáveis e evite exposição a aparelhos eletrônicos próximo ao horário de ir para a cama. Evite bebidas cafeinadas ou alcoólicas à noite e tenha horários regulares para dormir e acordar para uma noite de sono com melhor qualidade." Além de um bom colchão, a rotina é importante. Bruna explica o corpo é regido por "regras naturais", o chamado ritmo biológico. Hormônios, neurotransmissores e outras substâncias agem em sincronia para que as funções fisiológicas ocorram da melhor forma possível. "Quando não temos rotina - para as refeições, trocamos o dia pela noite ou não dormirmos o suficiente -, desequilibramos este sistema e, a longo prazo, isso compromete o funcionamento do organismo."
 
Muitos tentam compensar o sono perdido acordando mais tarde nos fins de semana. "Isso acaba desregulando o relógio biológico e pode causar ainda mais dificuldades no sono nos demais dias", aponta Bruna. Estudos comprovam que esta prática não é capaz de reverter as alterações na saúde a longo prazo, quando a privação do sono é crônica. O ideal é ter horários regulares para dormir e acordar. Inclusive em sábado e domingo.
 
Medicação sem orientação não é o remédio
 
Cerca de 40% da população brasileira sofre com dificuldades para iniciar ou manter o sono. Quando se fala em insônia, a associação a medicações para dormir é imediata. Há o uso indiscriminado de remédios, inclusive alguns que podem causar abuso e dependência, levando a problemas cognitivos. A otorrinolaringologista cita alguns dos fatores que estão por trás da gênese da insônia, como genética e eventos desencadeantes - trauma, luto, problemas financeiros e conjugais. Há ainda atitudes que perpetuam a insônia, entre elas, maus hábitos de sono, exposição excessiva à luz artificial no período noturno, horários irregulares de sono e alimentação, sedentarismo, muito tempo na cama sem vontade de dormir. Bruna acrescenta que ainda há aspectos cognitivos, como ansiedade noturna e preocupações com o próprio sono. "As medicações para dormir não atuam em nenhum desses fatores. Podem ser importantes a curto prazo, principalmente em pacientes muito sintomáticos. Porém, se o uso de remédios é feito sem a abordagem concomitante destes fatores, a probabilidade de o paciente não ter a insônia tratada e se tornar dependente da medicação é muito alta." 
 
A médica cooperada da Unimed VTRP ressalta que nenhum remédio funcionará de forma adequada se o paciente mantiver maus hábitos de sono e não tratar as doenças associadas. "Ele tem um papel importante, mas deve ser usado com critério, pelo menor tempo possível e sempre com indicação médica." Para fazer as pazes com o travesseiro, Bruna indica a terapia cognitivo comportamental, que atua nesta difícil relação com o sono, desfazendo mitos e ressignificando crenças.
 
Fale com o doutor
 
A Semana do Sono ocorre no país até a próxima quarta-feira, para chamar a atenção da população sobre a importância do sono para a saúde. Com o  tema "Sono e sonhos melhores para um mundo melhor", a iniciativa destaca sua importância na saúde física e mental. Profissionais da saúde realizam evento neste sábado, das 9h às 12h, no Parque Municipal Professor Theobaldo Dick. Haverá entrega de materiais impressos, sorteio de brindes e orientações quanto à importância do sono, doenças relacionadas e conse­quências à saúde. A Semana do Sono é uma iniciativa da Associação Brasileira do Sono, junto a médicos e demais profissionais da área. Em Lajeado, o movimento conta com o apoio da Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo.
 
Rumo ao equilíbrio
A vida é muito diferente do que há cerca de 50 anos, com uma quantidade de estímulos diários muito maior. A modernidade exige mais do que um corpo saudável, exercícios físicos, boa alimentação. O terapeuta holístico Eduardo Finkler ressalta ser evidente que o corpo interfere na mente, mas há uma necessidade maior que diz respeito à capacidade de aprender a usar esse instrumento tão incrível e poderoso. "O autoconhecimento não é mero capricho de poucos que possuem tempo para se conhecer. É uma necessidade tão vital que, sem ele, a mente estará fadada a criar neuroses, psicoses, crises e interferir negativamente na saúde do corpo", detalha o professor de meditação e autoconhecimento do Meditar Centro Holístico.
Finkler salienta que a meditação é um caminho inevitável a quem deseja viver em equilíbrio, livre do estresse, da ansiedade, depressão, do medo e do sofrimento, que nada mais são do que reações oriundas da falta de inteligência emocional, da incapacidade de saber lidar com os pensamentos.
 
Meditar para acalmar a mente e dormir melhor 
Eduardo Finkler salienta que o sono é um estado natural do corpo, cuja qualidade varia de acordo com as frequências cerebrais. A ciência estuda há anos esse processo e hoje sabe-se que, atingidas determinadas frequências cerebrais, a mente adquire a capacidade de equilibrar-se, rejuvenescer e ainda curar a si mesma.
Entretanto, o aumento de estímulos, a superexposição a ondas eletromagnéticas (computador, celular, televisão, etc), a carga de informações recebidas, a alimentação equivocada, o cultivo de emoções e sentimentos negativos e a vida voltada à competição criam um estado de tal agitação de pensamentos e sentimentos. Isso faz com que a mente não consiga atingir tais estados de relaxamento, permanecendo ligada a frequências similares ao estado de vigília. A maioria das pessoas passa o tempo todo pensando. A meditação permite silenciar a mente. "Com ela, aprendemos a trazer toda nossa atenção ao momento presente, abandonando o tempo, ilusões, fantasias, desejos e medos. Quando nos fixamos ao corpo e à respiração, a mente começa a aquietar-se, surgindo um estado de relaxamento interior, de paz e tranquilidade. As formas mentais começam a se dissolver e abandonamos pensamentos e sentimentos negativos, pois percebemos que não fazem parte daquilo que verdadeiramente somos", detalha Finkler. A meditação leva ao reconhecimento de nosso verdadeiro eu, mais profundo que a mente, maior que o corpo, o estado chamado de Consciência do Ser. Nele. a mente vibra sob uma frequência de serenidade e calma, não está presa ao jogo do intelecto e do tempo, mas em um estado de atenção, de presença consciente, impessoal e atemporal.
 
Faça em casa
 
Primeiro, crie um estado de amor com esse momento. A cama deve estar cheirosa e confortável - aromatizantes com essências de lavanda, camomila, valeriana e sândalo podem ajudar -, o ambiente deve ser quieto e, quanto menor a claridade, melhor. Trinta minutos antes de dormir, desligue a televisão e qualquer distração eletrônica. Se preferir, coloque uma música suave, como as relaxantes que vibram em 432Hz. Essas frequências estimulam o relaxamento.
 
"Deitado de barriga para cima, sinta seu corpo sobre a cama, perceba o aconchego do colchão, a suavidade dos lençóis, a maciez do travesseiro. Entre em harmonia com o ambiente. Depois, comece trazendo sua atenção para a respiração. Inspire vagarosamente, sentido o ar entrar pelas narinas até o fim, trazendo essa respiração para a barriga (você pode colocar suas mãos sobre o umbigo, se preferir). Perceba que, ao respirar, a barriga se expande, pois, agora, ela está cheia de ar. Deixe esse ar na barriga por três segundos e comece a expirar vagarosamente pela boca, sentido que, com a expiração, a barriga contrai, até que todo ar tenha saído. Mantenha esse estado de vazio por mais três segundos, criando um ciclo: inspira, segura o ar, expira e segura.  Quando estiver familiarizado, comece trazendo sua atenção a cada parte de seu corpo e, assim, estimule-a ao relaxamento. Comece pela cabeça, sinta a testa, o nariz, ouvidos, boca, rosto e diga para si mesmo: 'Relaxe'. Vá para todas partes do corpo, como ombros, braços, coração, intestino, pernas, até os pés, e dê o comando: 'Relaxe'. Se houver desconforto ou dor em alguma região, sinta-a com amor, sem lutar ou aborrecer-se. Nesse momento, aprenda a aceitar-se e amar-se. Gestos de carinho são curativos.
 
Se o sono veio antes do final da meditação, não há problema. Aprenda a observar o sono vindo e agradeça por poder descansar. Nesse momento, simplesmente relaxe e entregue-se ao descanso. Essa prática pode ser usada também quando, por algum motivo, você acordar ansioso no meio da noite. Nesse momento, deixe os pensamentos, volte sua atenção ao corpo e à respiração e sinta que, com a prática, a mente volta ao estado de relaxamento.
Lembre-se que seu corpo escuta sua voz, obedece a seus estímulos e você pode interferir positivamente na saúde física ou mental dele. Você é responsável por si mesmo."
 
Eduardo Finkler - terapeuta holístico da Meditar Centro Holístico

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